mauro_mendonca_filhoFoi de Mauro Mendonça Filho a direção geral de ‘O Astro’ e ‘Gabriela’, seus trabalhos mais recentes na Globo, onde ingressou em 1984 como editor na novela ‘Partido Alto’, de Aguinaldo Silva e Glória Perez. Quatro anos mais tarde, começou como assistente de direção em ‘Vale Tudo’, de Gilberto Braga. Como diretor, Mauro assinou seu primeiro trabalho em 1990, com a minissérie ‘A.E.I.O. Urca’, de Doc Comparato e Carlos Manga. A direção geral de um programa aconteceu em 1995, no especial ‘A Comédia da Vida Privada’. Na televisão, ele também participou de trabalhos como ‘O Dono do Mundo’, ‘Renascer’, ‘Memorial de Maria Moura’, ‘Toma Lá Dá Cá’, ‘Negócios da China’ e ‘S.O.S Emergência’. Mauro Mendonça Filho tem formação em comunicação, cinema, artes dramáticas e direção de teatro.

O San Magno, que é um hospital, vai ambientar grande parte das tramas de ‘Amor à Vida’. O que o público pode esperar dessas cenas que se passarão, por exemplo, em consultórios médicos e salas de cirurgia?

Mauro Mendonça Filho – Usaremos alguns tipos de filtros para que as cenas sejam quentes, tenham cor. Primaremos pelo lado mais poético e divertido dessas cenas. Com isso deixaremos de lado essa história de que o hospital precisa ser sisudo, frio. É a vida está em jogo e a luz ajuda a quebrar com esta marcação.

Outra característica da direção é a câmera na mão, que será muitíssimo usada. A câmera entrará nos cenários e passará mais tempo acompanhando os atores.

Esse perfil de direção vai influenciar na sua maneira de trabalhar com o elenco? Como você se avalia como diretor?

Mauro Mendonça Filho – Primeiro um diretor tem que ser fiel à história, acima de qualquer coisa. Ele tem que ser um contador de histórias, tem que estar muito antenado com o que o autor está pensando, escrevendo. E conduzir os atores neste sentido.

Eu foco o meu trabalho totalmente na direção de atores e procuro entender como eles estão pensando. Fico cúmplice dos processos deles ao invés de cobrar resultados.

São Paulo tem muita importância como cenário da história. Vocês pretendem voltar a gravar na capital paulistana. Mas de que outra forma a cidade aparecerá em ‘Amor à Vida’?

Mauro Mendonça Filho – A São Paulo da novela não tem nada a ver com essa ideia de metrópole urbana de paredes. O nosso desejo é ilustrá-la de uma forma colorida e tirar essa ideia cinzenta que as pessoas tem. É uma cidade alegre, cosmopolita, quase incontrolável. Uma metrópole de mil esquinas, de mil becos. Por mais que tentemos, não conseguimos mostrar por inteiro.

Quando não estivermos gravando por lá, usaremos outros recursos, como a inserção de imagens de São Paulo nas cidades cenográficas. Em uma delas, ficará clara que a localização do San Magno é na Avenida Paulista. De uma maneira ou outra, São Paulo estará sempre presente. Alguns personagens também se debruçarão por janelas que mostram paisagens paulistanas, como Paloma, personagem de Paolla Oliveira.

Com esta proposta de mostrar um outro lado da cidade, qual ritmo você vai imprimir nas cenas de São Paulo?

Mauro Mendonça Filho – É verdade que estamos fugindo um pouco da selva de pedra. Mas não podemos negar que São Paulo é uma cidade que não para. É como se tudo acontecesse ao mesmo tempo e agora. E essa efervescência não vai passar despercebida. As cenas são ágeis, com ação, com ritmo. Em um capítulo, muita coisa pode acontecer. E vamos caminhar juntos com alguns personagens, como Márcia (Elizabeth Savalla), que roda por toda a cidade para vender seus cachorros-quentes.

Como foi o processo de escolha de locações em São Paulo?

Mauro Mendonça Filho – Acompanhei de perto as escolhas feitas pela produção da novela. O Walcyr Carrasco já identifica muitos cenários em seu texto, isso facilita bastante.

Mas a novela também gravou no Peru. A escolha de locações também aconteceu desta forma?

Mauro Mendonça Filho – Viajamos para o Peru duas vezes antes das gravações começarem para a escolha dos cenários. Em setembro do ano passado foi a primeira delas. Fomos eu, Walcyr Carrasco, Wolf Maya e Verônica Esteves, a gerente de produção de ‘Amor à Vida’. Depois voltamos com a equipe de criação. O Walcyr tinha essas imagens muito fortes na cabeça, por conta de uma viagem que ele havia feito anos atrás. Concordo que o começo dessa história só poderia mesmo se passar no Peru. O país é incrível, nos rendeu imagens lindíssimas e histórias interessantes. O nosso elenco é muito conhecido na América Latina. Durante as gravações, Antonio Fagundes, Susana Vieira e Paolla Oliveira foram reconhecidos inúmeras vezes.

Você está repetindo uma parceria com Walcyr Carrasco. Mas desta vez, com a participação de Wolf Maya. Como será este trabalho?

 Mauro Mendonça Filho – Venho de um feliz trabalho com Walcyr Carrasco, que foi ‘Gabriela’. Com o Walcyr, a troca é sempre estimulante. Agora, em ‘Amor à Vida’, somos um trio. Temos o Wolf Maya, diretor de núcleo, comandando o nosso time, acrescentando talento, experiência e sabedoria.

‘Amor à Vida’ se propõe a tratar de diferentes assuntos. Como defini-la?

 Mauro Mendonça Filho – ‘Amor à Vida’ é uma novela que fala de famílias, amor e histórias recheadas de segredos. É uma novela eletrizante, com emoção e ação. Como teremos um hospital como cenário principal da trama, queremos passar um olhar mais humanizado sobre esses profissionais. Convidei o preparador de elenco Sergio Penna para fazer esse trabalho com os atores, que também fizeram laboratório em um hospital. Isso ajudou bastante a conceituar a novela para cada um, de forma que cada ator pudesse entender profundamente o seu personagem.

 Qual a expectativa em dirigir a sua primeira novela das nove?

 Mauro Mendonça Filho – É a mesma expectativa e responsabilidade em todos os trabalhos que faço. Dou o meu melhor para que o resultado seja sensacional para o público. Posso dizer que estou muito feliz.

Sobre a Novela:  A nova novela da Globo, ‘Amor à Vida’, prevista para estrear dia 20 de maio, nas Américas. A trama vai mostrar a difícil escolha de Paloma (Paolla Oliveira) diante de um impasse que poderá mudar sua vida: seguir a carreira de médica, como seu pai César (Antônio Fagundes) e sua mãe Pilar (Susana Vieira) desejam; ou se entregar às aventuras de um louco amor nos braços de Ninho (Juliano Cazarré).