Amores Roubados‘Amores Roubados’, a nova minissérie da Rede Globo é uma emocionante história sobre o poder avassalador da paixão. O cenário é o sertão do nordeste contemporâneo, que se modernizou economicamente com grandes vinícolas e o agronegócio exportador de frutas, mas preserva valores arcaicos.

A minissérie conta a história de Leandro Dantas (Cauã Reymond), um Don Juan, que volta à cidade de Sertão, onde nasceu, à beira do rio São Francisco, como um sofisticado sommelier. Bonito, inteligente e com uma lábia irresistível, Leandro degusta vinhos e mulheres da alta sociedade. É um conquistador que aprendeu a arte da sedução com a mãe Carolina (Cassia Kis Magro), uma mulher de passado obscuro que encantou muitos homens.

Leandro é ousado com as mulheres casadas – Isabel Favais (Patrícia Pillar) e Celeste (Dira Paes) – e cauteloso com seus maridos – Jaime Favais (Murilo Benício) e Roberto Cavalcanti (Osmar Prado) -, até ser surpreendido pela jovem e destemida Antônia (Isis Valverde), filha do maior produtor de vinho da região, o rico e poderoso Jaime.

‘Amores Roubados’ é uma minissérie de George Moura, escrita por George Moura, Sérgio Goldenberg, Flávio Araújo e Teresa Frota, com supervisão de texto de Maria Adelaide Amaral, direção geral de José Luiz Villamarim e núcleo de Ricardo Waddington.

A minissérie vai ao ar no canal internacional da Globo de 13 a 24 de janeiro, nas Américas, 14 a 24 de janeiro, na Europa e África e de 14 a 29 de janeiro, no Japão.

A vinícola Vieira Braga e a família Favais

Antônio (Germano Hauit), pai de Isabel (Patrícia Pillar), passou para o genro Jaime (Murilo Benício), o comando das terras onde iniciou a vinícola Vieira Braga, que veio a ser a mais bem-sucedida produtora de vinhos do Sertão. Foi Jaime o responsável pela modernização e expansão dos negócios e sonha em ver a filha, Antônia (Isis Valverde), como sua sucessora no comando do empreendimento. Antônia acaba de regressar de uma temporada de estudos na Itália. Jaime, um homem prático e objetivo, não percebe que a filha tem outros desejos, que são sufocados pela vontade do pai. Para a melhor amiga, Ana Clara (Thaysa Zooby), Antônia confessa sua vontade de sair do Sertão de uma vez por todas para uma cidade grande, onde ela poderá conhecer novas pessoas e viver outras possibilidades. Ana Clara dá todo o apoio à amiga, apesar de não compartilhar o mesmo sentimento, pois tem no Sertão sua raiz, sua família e o conforto do conhecido.

Isabel (Patrícia Pillar), mulher de Jaime e mãe de Antônia, vê-se dividida entre os desejos da filha e o espírito seco e prático do marido. Ela, que toma remédios controlados desde a morte da mãe, passa os dias dedicada a família e a filantropia onde investe todo seu carinho. Com a ajuda do músico e professor francês Oscar (Thierry Tremouroux), ela comanda as aulas e ensaios da Orquestra Sanfônica, formanda por filhos de funcionários da vinícola. É na música que Isabel encontra sua paz, seu refúgio. E essa devoção às crianças a faz entender a vontade da filha de seguir seu próprio caminho, algo que ela mesma nunca fez. Isabel tenta, a todo custo, apaziguar a relação conflitante que se instaura entre pai e filha, sem muito sucesso. E ainda terá que enfrentar a fúria de Jaime ao desconfiar de sua fidelidade.

Na casa dos Favais mora João (Irandhir Santos), afilhado de Jaime, um aprendiz dedicado e um homem de inteira confiança. João nutre uma paixão secreta por Antônia e idolatra Jaime. Atende qualquer desejo do padrinho só para se sentir parte daquela família. Com a volta de Antônia, depois de uma longa temporada na Europa, Isabel repudia a presença de João dentro da casa da família Favais. Já Jaime se sente responsável por João, que não tem outros familiares, e conta com ele para ser seus olhos e ouvidos na vinícola. Com a ajuda do moto-táxi, Bigode de Arame (César Ferrario), que procura das mais diversas formas ter seus lucros, João se prepara para afastar Leandro (Cauã Reymond) de seu caminho e, quem sabe, construir uma verdadeira família como fez o padrinho.

As paixões de Leandro

Com Celeste (Dira Paes), Leandro descobre os encantos de uma mulher quente, selvagem e confiante. Esposa do maior exportador de frutas da região, Cavalcanti (Osmar Prado), a elegante Celeste sabe de seu poder de sedução. Com apenas um olhar, ela conquista a atenção de Leandro. Celeste é a melhor amiga de Isabel, mas guarda para si seu caso com o sommelier, deixando para os e-mails e mensagens as demonstrações de sua paixão. Seu segredo só será ameaçado pela contratação de uma nova empregada para sua casa: Carolina (Cassia Kis Magro), de quem ela desconhece o passado.

Em seu retorno ao Sertão, Carolina conta com a ajuda de um antigo affair, Deocleci (Antonio Fabio), para conseguir um emprego, que lhe garanta um salário, e poder ficar próxima de Leandro, para assim tentar recuperar o dinheiro que o filho lhe deve. Porém, sua volta às terras áridas que margeiam o São Francisco revela para ela muito mais sobre a personalidade de Leandro do que esperava.

Já com Celeste nas mãos, Leandro vê em Isabel uma bela mulher perdida em si mesma. A intocável Isabel, esposa do poderoso patrão Jaime, passa a ser o grande desafio de conquista e objeto do seu desejo. A atenção e o carinho de Leandro faz despertar em Isabel um sentimento há tanto esquecido: a paixão. Isabel fica perturbada com as palavras carinhosas do jovem Leandro e, pela primeira vez, entra em rota de colisão com o marido. A discreta Isabel sente no corpo e na alma o florescer de uma paixão platônica, que provocará dolorosas consequências.

Entre Isabel e Celeste (Dira Paes), surge na vida de Leandro a destemida Antônia (Isis Valverde), a jovem que o faz questionar todas as suas certezas. No início, um misto de desprezo e curiosidade marca a aparição de Antônia na vida deste sedutor, até despertar para algo além da paixão da conquista, um sentimento mais profundo. Para seu único confidente, Fortunato (Jesuíta Barbosa), Leandro primeiro brada suas conquistas e depois revela o que o verdadeiro amor pode fazer com um homem.

Numa cidade próspera, mas de hábitos arcaicos, onde a terra árida abriu espaço para os campos verdejantes de um Brasil novo, Leandro descobre em Antônia o amor verdadeiro. Juntos e enamorados, eles partem numa implacável e eletrizante trama de paixão, ciúme e vingança. Sem saber, Leandro e Antônia põem em risco a própria vida para lutar por um amor sincero e verdadeiro.

O sertão contemporâneo e o Velho Chico – personagens, prosódia e veracidade

Uma terra de chão vermelho, com um céu que luta pela chuva, mas se rende ao sol. Uma terra que, com um pouco de água, pode dela florescer as mais belas plantações. Os galhos secos se misturam às grandes vinícolas e plantações de frutas, um paradoxo entre a secura e a beleza da vegetação verde a nascer. O sertão que margeia, em todas as suas contradições, um dos grandes personagens de ‘AmoresRoubados’: o rio São Francisco.

Para trazer esse sertão contemporâneo, a equipe esteve durante quase três meses, entre as cidades de Petrolina, em Pernambuco, e Paulo Afonso, na Bahia. Cerca de 70% das gravações foram feitas em locações externas. Esses municípios são representados em um lugar ficcional chamado ‘Sertão’. “Quando começamos a andar e desenvolver o projeto, achamos que era bom que esse lugar não existisse, não se situasse geograficamente, que essas locações fossem amarradas pelo rio São Francisco, que no fundo é como se fosse uma veia onde corre ali aquele sangue. É ele que amarra a história, tudo está à beira do São Francisco, todo esse sertão que a gente revela em ‘AmoresRoubados’”, afirma o diretor Villamarim.

A escolha das locações funciona como um retrato da complexidade da cultura do sertão contemporâneo. A saga de ‘Amores Roubados’ se passa nos cânions secos do Raso da Catarina e molhados de Canindé do São Francisco, nos passeios de jet ski e festas em barcos, em lugarejos como Junco do Salitre, bares de beira de estrada, parreirais e casas à beira do rio São Francisco. “O conflito que existe no sertão entre a chegada da modernização econômica e a permanência de valores morais tradicionais, por si só, já tem uma grande força dramática. Você encontra vinícolas produzindo espumantes que são exportados e consumidos no Brasil e no mundo, mas você vê também a relação de sobrevivência do sertanejo diante da seca que existe há séculos. Essa tensão de opostos é muito rica para a dramaturgia”, conta o roteirista.

Para reforçar a linguagem trazida por Villamarim e Moura, a direção de fotografia da minissérie é assinada por Walter Carvalho, que retoma a parceria com a dupla, feita em ‘O Canto da Sereia’. Carvalho incorpora a luz do sol do sertão à fotografia e a torna a sua aliada. “Quem trabalha com a luz procura os anteparos que protegem os objetos, procura proteger sua forma e sua função. O que importa é a representação. O que queima, ilumina a terra, o que aterrissa, arde no horizonte e define a imagem. Convém olhar os dois na hora do quadro, do recorte, e o que interessa é o efeito da luz sobre a paisagem e mais, o que importa para mim é o sentimento da luz. Neste trabalho a luz do sertão é personagem”, conceitua o diretor de fotografia. Villamarim diz que encontrou em Carvalho um parceiro para ajudar a contar essa história. “Você só consegue fazer algo sair da tela da TV para tocar as pessoas que estão assistindo se a equipe inteira estiver em sintonia. A vibração que circula tem que ser a mesma em todo mundo”, completa o diretor Villamarim.

Para compor as cenas da minissérie, os figurantes eram moradores locais, que ajudaram a passar ainda mais veracidade. Nomes conhecidos se misturam a atores nordestinos estreantes na televisão. “O ator local vem com um calor, um frescor, uma vontade, uma prosódia, que impregna a tela de verdade. Por exemplo, o Irandhir Santos que faz o personagem João, afilhado e protegido do poderoso Jaime (Murilo Benício) e apaixonado por Antônia (Isis Valverde), tem um trabalho incrível. Também Jesuíta Barbosa que faz o Fortunato, o melhor amigo de Leandro (Cauã Reymond). Essa mistura de rostos e interpretações conhecidas com talentos novos dá uma química, um novo colorido. Com isso, ‘Amores Roubados’ ganha força e diversidade na sua sinfonia polifônica, onde os personagens mergulham em emoções tão intensas quanto diversas”, define Moura.

De julho ao final de setembro, produção e elenco estiveram em Petrolina para a primeira fase das gravações. Para levar a produção e equipamento aos sets de gravação, cerca de quinze vans ficavam à disposição todos os dias. Há 13 quilômetros de Juazeiro, o Junco do Salitre impressiona pelas belezas do rio São Francisco, que o corta, e pela extrema secura dividindo o mesmo espaço. Ele foi cenário de uma das maiores festas da trama, que contou com a participação especial da dupla de emboladores pernambucanos Castanha e Caju, animando os cerca de 450 figurantes em cena, além do elenco da minissérie, nos três dias de gravação. A vinícola Santa Maria/Rio Sol, localizada em Lagoa Grande, abriga a fictícia vinícola Vieira Braga, comandada pelo personagem de Murilo Benício, Jaime Favais. O sertão se tornou um lugar propício para o crescimento das uvas e para a produção do vinho com o calor durante todo o ano e o solo fértil, irrigado pelo rio São Francisco. O enoturismo é uma prática local e os vinhos conhecidos internacionalmente pela qualidade e variedade do produto desenvolvido no nordeste brasileiro.

De setembro ao início de outubro, a equipe se deslocou para Paulo Afonso, na Bahia, para a segunda fase das gravações. A Ponte Pedro II, a Usina de Angiquinho e o Raso da Catarina são alguns dos cenários marcantes onde foram gravadas algumas das principais cenas da trama. Entre as rochas e cânions esculpidos pela ação do tempo, a imensidão dos três mil quilômetros quadrados do Raso da Catarina abrigou a equipe durante sete dias de gravação em uma das maiores sequências da minissérie. Para acessar o local, foram necessários três tratores e 16 carros 4×4 para levar toda a produção e elenco ao local, além de dois helicópteros para gravar as cenas de ação da trama.

Para Petrolina e Paulo Afonso, partiram do Rio de Janeiro sete caminhões com figurino, arte, cenografia e maquinários. A equipe de ‘Amores Roubados’, composta por cerca de 120 pessoas, rodou 250 mil quilômetros entre todas as locações que deram vida a essa história.

Cenário e produção de arte: as características do sertão para dentro do set de gravação

Para trazer elementos reais a esse lugar ficcional às margens do São Francisco, as equipes de cenografia e figurino incorporaram às locações elementos que ajudam na composição da trama. Os cenógrafos Alexandre Gomes e Anne Bourgeois mesclaram as cores e os materiais locais com elementos de referências levadas por eles para desenvolver com veracidade a minissérie.

A maior obra e primeira construção foi a casa de Jaime (Murilo Benício), Isabel (Patrícia Pillar) e Antônia (Isis Vaverde), na cidade de Petrolina. A partir de uma estrutura básica já existente, mas sem muitos elementos, criaram um espaço em tons de terracota, com deque, espelhos d’água e uma sala com cerca de 200 m² revestida com 56 portas vazadas e de fita de bambu, material novo e importado usado para dar delicadeza e amplitude à casa. Depois, o cenário foi reproduzido nos estúdios do Projac. A casa de Leandro (Cauã Reymond), construída em pedra e tijolo de barro no sertão nordestino, foi replicada também nas gravações do Rio de Janeiro, dentro dos estúdios. Toneladas de pedras foram trazidas para montar a residência do protagonista em seu material original, uma casa em sua réplica perfeita.

Nas gravações pelas cidades de Petrolina e Paulo Afonso, procuraram incluir em quadro os elementos característicos do sertão, como árvores secas, amburanas – tipo de árvore local -, cactos, e adotaram uma paleta de cores diversificada e em tons fortes, comum às casas do sertão nordestino, que passam pelo amarelo, mesclado com vermelho e verde. Para manter o dressing local nas cenas de estúdio, foram trazidos também 15 metros de cerca montada com árvores secas e uma amburana.

O produtor de arte, Moa Batsow, integrou ao set da vinícola a marca Viera Braga, desenvolvida por sua equipe. A logo estampou o local e mais de seis mil caixas e cinco mil rótulos que compuseram os vinhos da empresa de Jaime (Murilo Benício). Foram cinco mil garrafas produzidas para as gravações da minissérie, com capsulas e rolhas. Já para a Mangobras, marca de Cavalcanti (Osmar Prado), foram duas mil caixas para comportar as cerca de dez mil mangas, cada uma adesivada com a logo da empresa.

Figurino e caracterização: ressaltar as emoções e vivências dos personagens

Para retratar personagens repletos de desejo, vivências e experiências, as equipes de figurino e caracterização buscaram ressaltar os acontecimentos que impregnam as pessoas em suas trajetórias. Os figurinistas Cao Albuquerque e Natalia Duran, e a caracterizadora Anna Van Steen trazem, nos detalhes, a busca pela realidade dos personagens e a fuga dos estereótipos, em uma linguagem única, seguida desde a direção até as equipes técnicas.

Entre os recursos usados, a caraterização da série aproveitou o calor das gravações no sertão nordestino e usou produtos que simulam gotas de suor, misturadas às gotas autênticas, provocadas pelas altas temperaturas. Água termal, borrifador, óleo, glicerina, esponjas especiais foram utilizados nesse processo. Uma profissional especializada em efeitos de maquiagem integrou a equipe para criar dentes amarelados, unhas encardidas, cabelos ensebados e tatuagens que, diariamente, compunham a imagem dos atores e figurantes da trama. A construção de Antônia, interpretada por Isis Valverde, representa muito bem esse trabalho. Durante as gravações, as unhas da atriz eram pintadas com esmalte ligeiramente desgastado. Além disso, a personagem tem o corpo repleto de pequenos desenhos tatuados, desenvolvidos junto ao departamento de efeitos especiais da TV Globo, com o cuidado de elaborar diversos tons de preto para que aparentassem terem sido feitos em diferentes fases da vida da personagem. Foram mais de 150 decalques com plumas, flechas, uma mandala e a rosa dos ventos. “Esses símbolos desenhados em seu corpo nos ajudam a definir um caráter libertário dela”, define Ana Van Steen.

Já Murilo Benício, na composição de Jaime, teve um corte de cabelo feito, nas laterais, com navalha. Ele ganhou longos fios penteados no alto, com algumas mechas descoloridas e a barba grande. Look inspirado em alguns escritores do início do século XX, como Ezra Pound e Henrik Ibsen.  Para finalizar a construção de um personagem que viveu exposto ao sol da região do rio São Francisco, dez unidades de um produto importado resistente ao calor foram usados para criar pequenas pintas e manchas adicionas na pele do ator.

Já o figurino partiu da paleta de cores para desenvolver os looks dos personagens. “Fomos buscar na cor a inspiração, por conta do amor, do roubado e do vinho. Usamos todos os tingimentos que combinassem com vinho, cor do sangue, da morte e do amor”, conta Cao Albuquerque.  A equipe foi às feiras para buscar roupas regionais e comuns ao local. As peças que compuseram os personagens vêm desde brechós, lojas e acervo, até peças artesanais e customizadas pela equipe, tingidas, refeitas e bordadas. O objetivo para a construção foi, acima de tudo, contar a história do personagem.

Para o personagem de Leandro (Cauã Reymond) buscou-se a simbiose entre o trabalho de sommelier e a sensualidade de um Don Juan. Nessa composição, a aposta foi em bordados, estampas especiais, transparências, jeans, botas de couro, cintos comprados em feiras nordestinas, e camisaria inspirada nos anos 1970, por causa dos colarinhos e desenho acinturado, que valoriza o corpo. Isabel tem um figurino fluido com peças em tecido 100% algodão e de linho. Já Antônio, interpretado por Germano Hauit, tem chapéu panamá e bengala de bambu, roupas em linho e tons de terra, inspirados em Ariano Suassuna. Jaime (Murilo Benício) tem peças tradicionais, mas modernas, com blusas sociais em tons de azul, cinzas e branco, blazeres cáqui e calças escuras.

Um dos figurinos mais elegantes é o de Celeste, ao usar peças clássicas, mas que reforçam a sensualidade natural da personagem, deixando seu apelo para a intenção do olhar e dos gestos. No figurino, ela usa camisas brancas, calças jeans e vestidos de corte reto e ajustado. O look da personagem de Isis Valverde aposta nas misturas de referências do período que Antônia passou na Europa e no sertão, ao intercalar chapéus de feutro e óculos escuros de marca, com saias jeans de tendência, botas de couro, bolsas de couro rústico, franjas e muitos adereços, marca da personagem.

Entrevista com o roteirista George Moura

Pernambucano, formado em jornalismo e com mestrado em artes cênicas, George Moura tem grande experiência na televisão, onde já trabalhou como assistente de direção, editor de texto, e roteirista de séries como ‘Carga Pesada’ e ‘Cidade dos Homens’. George recebeu seis indicações consecutivas ao International Emmy Awards por episódios do programa ‘Por Toda Minha Vida’.

Conheceu o diretor-geral José Villamarim durante a novela ‘O Rei do Gado’, no qual atuou como seu assistente de direção. Em 2012, escreveu a microssérie ‘O Canto da Sereia’, com Patrícia Andrade e Sérgio Goldenberg, também dirigida por Villamarim.

Em 2002, roteirizou seu primeiro longa-metragem, o documentário ‘Moro no Brasil’, do diretor finlandês Mika Kaurismaki, e, em 2008, trabalhou com Walter Salles e Daniela Thomas no roteiro do filme ‘Linha de Passe’, ganhador da Palma de Ouro de melhor atriz (Sandra Corveloni), no Festival de Cannes.
 
Como foi a construção da minissérie Amores Roubados? Desde quando você e José Luiz Villamarim desenvolveram esse projeto inspirada no livro ‘A Emparedada da Rua Nova’?
O Projeto de ‘Amores Roubados’ remete aos anos 1980, quando li, pela primeira vez, o romance ‘A Emparedada da Rua Nova’, do jornalista pernambucano Carneiro Vilela. Li o romance, que é repleto de tramas e muitas reviravoltas, e fiquei encantado. Comecei a sonhar que gostaria de, um dia, ver essa história sobre o poder avassalador da paixão na TV. Em 1996, eu e o diretor Villamarim nos encontramos profissionalmente ao fazer a novela “O Rei do Gado”, de Benedito Ruy Barbosa. Ele como diretor e eu como seu assistente de direção. Dei ‘A Emparedada…’ para Villamarim ler. Ele ficou encantando e se apaixonou pela história. E aí, como diz Raul Seixas, “um sonho que se sonha só, é um sonho que se sonha só, mas sonho que sonha junto é realidade”. Mas, às vezes, esses sonhos demoram… E para que eles aconteçam é sempre necessário: trabalho, perseverança e sorte. Entre um compromisso e outro de trabalho, fomos decantando ‘A Emparedada…’, como se fosse um longo ritual de preparação até que ela viesse a se transubstanciar em ‘Amores Roubados’, numa eucaristia artística.

O folhetim foi um enorme sucesso de 1909 a 1912 em Recife. Por que adaptá-lo para a televisão hoje?
Porque a história é muito boa e tem um ritmo apaixonado e eletrizante. E, sobretudo, porque é muito pouco conhecida no Brasil. O livro só foi editado, há muitos anos, por uma pequena editora regional ligada ao estado de Pernambuco. Uma novidade boa é que acaba de sair uma nova edição, pois o livro estava fora de catálogo há quase 30 anos. Na adaptação, a trama principal permanece até certo ponto, mas os personagens ganham uma dimensão contemporânea. Leandro (Cauã Reymond) que, no original, era um médico baiano que se muda para o Recife, passa a ser um Don Juan que volta à cidade onde nasceu, Sertão, à beira do rio São Francisco, como um sofisticado sommelier. Grande sedutor, Leandro vai mexer com o desejo de mulheres e homens que assistirem ‘Amores Roubados’. Afinal Leandro é bonito, inteligente e tem uma lábia irresistível para as mais diferentes mulheres. Acredito que não há nada mais atual e atraente do que o desejo e o minueto de sedução entre homens e mulheres. E existe também outro aspecto em ‘Amores Roubados’, que é a ideia de que nós somos o que escolhemos ser, ou seja, cada escolha que você faz, vai construindo você para o dia de amanhã. E, por mais que a gente tente, a vida, assim como o amor, é absolutamente imprevisível.

Como adaptar um folhetim de 1909 para a linguagem contemporânea?
Foi uma jornada difícil, fascinante e desafiadora. O que temos de atual naquele folhetim de 1909 é a argúcia com que o Carneiro Vilela trata as paixões humanas. Essas paixões são muito parecidas há milhões de anos. O que existe de antigo na trama são os mecanismos e as imposições morais da época. Por exemplo, no original, uma cantada do Don Juan vinha por uma carta, na adaptação ela vai por um torpedo de celular. Mas isso são detalhes… O que é preservado e re-significado é que, seja por carta ou torpedo, o ímpeto do desejo é preservado e impossível de ser contido. O mais complexo nesse processo de transposição, ou melhor, de recriação é encontrar as equivalências dramáticas do século XIX com o XXI. E a ideia de levar a trama original, que se passa na cidade do Recife, para o sertão de Pernambuco, se deu por isto. O sertão contemporâneo onde se passa ‘AmoresRoubados’ é um nordeste que se modernizou, mas preserva ainda arraigados conceitos arcaicos de honra e moral. É uma geografia física e humana perfeita para esta saga, para esta ópera seca.

Qual a importância de se trabalhar em parceria? Você e Villamarim conseguem transitar por todo o processo de criação juntos?
A parceria artística, junto com o trabalho árduo e diário, é uma conjunção difícil de ser conquistada, mas quando ela nasce, tudo fica melhor no processo de criação e no resultado final. Eu e Villamarim já nos conhecemos e trabalhamos juntos há quase 20 anos. É muito tempo. Em todas as etapas desta minissérie estivemos num processo de assembleia criativa permanente. Seja no trabalho de escrita dos capítulos, na escolha do elenco, escolha das locações, figurinos, objetos, gravação, montagem e finalização do capítulo. São as afinidades eletivas que vamos construindo no curso da vida. E como gosta de dizer o nosso parceiro, o diretor de fotografia Walter Carvalho: “ninguém se salva sozinho”.

Além de ‘A Emparedada da Rua Nova’, quais as referências que você usou para desenvolver os textos de Amores Roubados?
Os textos de uma vida inteira de leitor voraz e devorador de filmes. De Sthendal a Billy Wilder, passando pelos poetas Joaquim Cardozo, João Cabral de Melo Neto e Carlos Pena Filho e muitos outros que falaram com propriedade sobre o sertão, o amor e suas dores.

‘Amores Roubados’ tem no sertão um de seus principais personagens, o Brasil contemporâneo que aconteceu ali e desenvolveu, mas mantém seus valores arraigados. Qual o objetivo de mostrar para o Brasil essa dicotomia do sertão?
O conflito que existe no sertão entre a chegada da modernização econômica e a permanência de valores morais tradicionais, por si só, já tem uma grande força dramática. Por isso, escolhemos gravar quase 70% da minissérie no sertão. Isso traz uma verdade cênica para atores, trama que fica impressa, de forma muito particular, no resultado final da minissérie. Quando vemos Jaime Favais (Murilo Benício), dono da maior vinícola da região, querendo impôr à sua filha Antônia (Isis Valverde), que ela seja sua sucessora na gestão dos negócios, nós entendemos um pouco mais desse Brasil profundo que não é só o Leblon do Rio de Janeiro e os Jardins de São Paulo. O nosso país é enorme e é preciso ir longe para fazer um retrato da complexidade da nossa cultura que pode e deve dar novos ares à TV brasileira.

O que o público pode esperar de ‘Amores Roubados’?
‘Amores Roubados’ é uma linda história de amor, numa geografia árida (o sertão) e suave (o rio São Francisco). Uma dura história de vingança. Uma saga sobre até onde a paixão pode nos levar.

Entrevista com o diretor-geral José Luiz Villamarim

O mineiro José Luiz Villamarim, formado em economia, atua como diretor na Rede Globo desde 1995 e tem no currículo novelas e séries como ‘Rei do Gado’, ‘Torre de Babel’, ‘Mulheres Apaixonadas’, ‘Cabocla’, ‘Mad Maria’, ‘Força-Tarefa’. As novelas ‘Paraíso Tropical’ e ‘Avenida Brasil’ lhe renderam indicações ao International Emmy Awards, assim como o episódio em homenagem ao grupo Mamonas Assassinas, no programa ‘Por Toda Minha Vida’, finalista da premiação. Em ‘Amores Roubados’, Villamarim repete a parceria com George Moura e Walter Carvalho. O último trabalho que assinou com eles foi a microssérie ‘O Canto da Sereia’.

Como é a parceria com o roteirista George Moura?
A gente começou no ‘Rei do Gado’ e nos tornamos grandes amigos. Ele foi fazendo a carreira dele, que foi se encaminhando para o roteiro, e eu dirigindo meus projetos, sempre com desejo de trabalharmos juntos. Fomos nos reencontrar no ‘Por Toda Minha Vida’ fazendo o especial do Mamonas Assassinas. Daí, começamos a desenvolver projetos. Fizemos um para o cinema – que será filmado em 2014 – até começarmos ‘Amores Roubados’. Em paralelo, realizamos ‘O Canto da Sereia’ e já estamos trabalhando num próximo projeto. Essa parceria é duradoura, o que acho ideal no trabalho. Além da amizade que a gente tem, há um grande diálogo artístico e uma afinidade estética.

Qual é o desafio de passar esse olhar do sertão contemporâneo? Como fizeram esse desenvolvimento?
O desafio é quando você trabalha com bases realistas. Quando viajamos, em pesquisa, percebemos que no sertão de hoje o arcaico não pode ser dissociado da modernidade. Isso passou a ser o conceito a ser buscado na minissérie. O trabalho em ‘Amores Roubados’ é uma recriação a partir dos dados da realidade, é um processo de re-significar uma geografia física e também humana. Já estamos habituados a ver o sertão retratado no cinema brasileiro e na TV, como aquele sertão mítico de Lampião, do gado morrendo de sede. A busca agora é por este novo sertão que tem uma nova imagem, um novo drama, um frescor.

‘Amores Roubados’ vem para mostrar uma cara nova do sertão para o Brasil?
Gravamos na região do Vale do São Francisco, que inclui Petrolina, que se modernizou economicamente com suas vinícolas e empresas exportadores de frutas e fomos também ao Raso da Catarina, uma área onde não há água, nem luz. Esse dramático embate visual e humano entre o moderno e o arcaico gera uma cara nova para essa obra.

O Nordeste ainda tem todos os resquícios do coronelismo. Está tudo ali arraigado naquele povo, naquele comportamento, mas tem toda a modernidade que está chegando a todos os lugares. A moto está lá, mas o jegue está ao lado dela. A cabra está lá, mas o bodódromo (circuito gastronômico na cidade de Petrolina, em Pernambuco, onde existe mais de uma dezena de restaurantes especializados em bode) está junto.

O que te chamou a atenção em ‘A Emparedada da Rua Nova’ para adaptá-la para a  TV?
Acho que a história da ‘Emparedada’ é muito potente. O Carneiro Vilela tem uma pegada do que há de melhor no folhetim, que são as traições, viradas, reviravoltas, vinganças, triângulos amorosos. No caso, um quadrilátero amoroso. Todos os elementos de folhetim clássico estão ali. Além disso, também existe um thriller embutido no enredo, uma trama policial que entra  para eletrizar ainda mais as qualidades do folhetim do Vilela.

Acho que George avançou na profundidade dos sentimentos humanos e o fato de trazer a história para os dias de hoje foi um desafio. Adaptar uma obra que se passa no século XIX para o século XXI potencializou mais ainda as qualidades que a original já tinha. Acho que a adaptação foi muito feliz nesse sentido. O folhetim é genial para os atores também, porque os personagens, em um curto espaço de tempo, percorrem um grande arco dramático. Isso é fascinante para a direção e para os atores.

Como foi a escolha do elenco?
O primeiro requisito para a escolha do elenco na minissérie foi que o ator tivesse a disponibilidade de mergulhar no seu personagem. Pesquisa, ensaio, estudos, conversas, tudo foi feito para lançar luz sobre o universo dramático da nossa história. Como temos personagens limítrofes, que vão da ordem a desordem, procurei escalar atores que tem paixão por seu ofício e estamos com um elenco brilhante nesse sentido.

A outra questão são os atores novos que estamos lançando e vêm do nordeste, trazendo a prosódia, a angústia, a felicidade e a vivência local. A mistura de atores consagrados com esses novos talentos, convivendo, fazendo laboratório e passando uma temporada de imersão no sertão, gera uma maneira de interpretar mais realista que eu chamo de “interpretação documental”.

Como vocês chegaram às locações de Petrolina e Paulo Afonso? Por que a escolha dessas cidades e lugares como o Junco do Salitre e Raso da Catarina para retratar a minissérie?
O George, como pernambucano, conhecia muito esses lugares. Ele me apresentou aquela geografia. Quando começamos a escrever ‘Amores…’ e fomos fazer a pesquisa iconográfica, me apaixonei por tudo aquilo. Além disso, o sertão, do ponto de vista do espaço, do tempo, do silêncio, é absolutamente fascinante.

Qual é o diferencial da estética de ‘Amores Roubados’?
É como se eu estivesse aprofundando um trabalho começado em ‘Avenida Brasil’ e sobretudo no ‘O Canto da Sereia’. É a busca por uma interpretação sem artificialismos, espontânea, cenicamente verdadeiro, verossímil. É preciso acreditar que o ator é o personagem e não apenas está interpretando um personagem. A roupa que ele veste, a maquiagem que ele usa, o cabelo, tudo tem que estar a serviço da emoção da cena. Para fazer um trabalho como ‘Amores Roubados’ é essencial a imersão total. Por isso é muito saudável e produtivo ir para um lugar, como o sertão, e ficar por três meses das nossas vidas em função da história que desejamos contar.

Cerca de 70% das gravações da minissérie foram em externas. Isso traz uma diferença?
Não só isso. A imersão no local, a saída do seu habitat natural já te põe concentrado e isso favorece todas as relações e a maneira de trabalhar. Todo mundo está no lugar concentrado em uma coisa única que é ‘Amores Roubados’. Há vários meses que acordo e durmo e tenho insônia com ‘Amores…’ na cabeça.

Além da ‘Emparedada’, você tem ouras referências para direção deamores?
‘Paris, Texas’, ‘Babel’, ‘O céu que nos protege’, ‘O céu de Sueli’, que é o primeiro filme que começa a tocar nessa questão do sertão contemporâneo. A gente usou o ‘Central do ‘Brasil’ também, assistimos filmes do Glauber Rocha, ‘As Horas’, pela tragédia e pela maneira que os atores atuam. Tem também as influências locais de vestimenta e comportamento das pessoas. E um livro que foi essencial para entender e estabelecer o tempo dramático da minissérie foi “Esculpir o Tempo”, do diretor russo Andrei Tarkovski.

Qual é o diferencial desse trabalho?
Se formos comparar com o último trabalho dirigido por mim, a minissérie ‘O Canto da Sereia’, ‘Amores Roubados’ aprofunda ainda mais algumas questões que tenho refletido sobre a narrativa na TV. Cada cena tem o seu tempo, o seu ritmo e isso precisa ser respeitado. Daí a escolha de realizar a minissérie com um menor número de cortes possíveis, como se o telespectador estivesse a espreita da vida real daqueles personagens, uma espécie de testemunha. E ainda mais: a TV busca emocionar, mas com ‘Amores Roubados’, o desejo é de emocionar sim, mas que esta emoção transcenda. Hoje em dia é muito raro você conseguir se dedicar durante cinco meses, gravando de segunda a sábado todas as cenas, com um único diretor. Mas esse trabalho pedia isso e assim foi feito. Foi muito trabalhoso, mas muito prazeroso também.

O que o público pode esperar de Amores Roubados?
Uma história maravilhosa, muito humana. Em ‘Amores Roubados’, todo mundo é movido pelo desejo. É uma história brasileira, de um Brasil pouco retrato e que fala da capacidade que a paixão tem de transformar as pessoas, para o bem e para o mal. Ou seja, muita emoção no ar e muitas surpresas e reviravoltas também.

Perfil dos personagens

Leandro Dantas (Cauã Reymond) – O Don Juan do Sertão. Filho de Carolina (Cassia Kis Magro), foi para São Paulo ainda criança e aprendeu com a mãe a arte da sedução. Volta para o Sertão como um sommelier, apreciador de vinhos e mulheres.

Antônia Favais (Isis Valverde) – Filha do poderoso Jaime Favais (Murilo Benício), Antônia é cria do Sertão, mas tem um espírito livre, apaixonada por esportes radicais e fotógrafa nas horas vagas. Carrega o peso de ser a sucessora no comando das vinícolas da família. Mas ao voltar de uma viagem para a Itália, onde foi estudar sobre vinhos, decide enfrentar o pai e seguir seu próprio caminho.

Jaime Favais (Murilo Benício) – Dono da vinícola Vieira Braga, Jaime Favais é o homem mais poderoso do Sertão. Admira e respeita o sogro Antônio (Germano Haiut) e sonha em ver a filha, Antônia, como sucessora dos negócios para poder se aposentar e viver com a esposa Isabel (Patrícia Pillar).  Jaime é forte e impetuoso, tem em si os valores arcaicos do nordeste.

Isabel Favais (Patrícia Pillar) – Uma mulher muito bonita e introspectiva, em conflito consigo mesma, e devota ao marido Jaime. Divide-se entre amar e temer as reações do marido. Tem no trabalho junto a Orquestra Sanfônica, composta por crianças sanfoneiras, filhos de funcionários da vinícola, uma inspiração, a prova de que Deus existe, e se dedica a elas como a salvação para abrandar suas angústias.

Antônio Braga (Germano Haiut) – O criador da vinícola Viera Braga, tirou da terra seca do Sertão um fruto que gerou lucros para a família. É respeitado e admirado por todos e confia no genro Jaime para seguir com seus negócios. Antônio é ponderado e doce com a filha Isabel, sempre preocupado com seu bem-estar.

João (Irandhir Santos) – Afilhado de Jaime, aparentemente, é um homem discreto e comedido. Braço-direito do padrinho na vinícola. Não tem família e tem em Jaime a figura de um pai. Quer agradar o padrinho e se sentir verdadeiramente parte da família Favais. É capaz de fazer qualquer coisa por Jaime.

Celeste (Dira Paes) – Uma mulher atraente, elegante e que tem a sedução no olhar, um desejo controlador e insaciável. Ama o marido Cavalcanti, gosta do poder de ser casada com um dos maiores exportadores de frutas do Sertão, mas é apaixonada pelo perigo e pelas aventuras com Leandro.

Cavalcanti (Osmar Prado) – Dono da Mangobras, é um dos poderosos empresários do Sertão e amigo próximo de Jaime. É casado com Celeste, gosta de paparicar a esposa e de vê-la no comando da casa.

Carolina (Cassia Kis Magro) – Uma mulher cheia de mistérios, deixou o Sertão e foi para São Paulo com o filho Leandro. Lá, enriqueceu, mas uma reviravolta da vida a fez ter que recomeçar. O primeiro passo foi seguir em busca do filho que voltou para Sertão sem avisá-la.

Deocleci (Antônio Fabio) – Ex-gerente da Mangobrás, agora aposentado. Um antigo caso de Carolina, que vai ajudá-la a se reestabelecer no Sertão. Ele a aconselha durante sua reaproximação com Leandro e se revela apaixonado por ela.

Fortunato (Jesuíta Barbosa) – Amigo de Leandro, Fortunato é um jovem bonito e trabalhador, que aprecia a vida em um barco nas águas do rio São Francisco. Funcionário de uma oficina mecânica, tenta alertar Leandro de que na vida nem tudo são mulheres e vinhos.

Bigode de Arame (César Ferrario) – É um sertanejo que tenta se dar bem na vida, mas segue por caminhos e veredas áridas e tortuosas.

Oscar (Thierry Tremouroux) – Professor de música, trabalha em parceria com Isabel na Orquestra Sanfônica, formada por crianças, filhos de funcionários da vinícola, que tocam sanfona. Francês, veio pro Sertão em busca de uma linda morena e de sonoridades nordestinas. A morena se foi e ficou a música. Não tem familiares no nordeste, vive sozinho, conta com a proteção de Isabel Favais, sempre grata por seu trabalho, e gosta da companhia dos amigos Leandro e Fortunato.

Ana Clara (Thaysa Zooby) – Melhor amiga de Antônia, Ana Clara foi criada no Sertão e gosta da vida no local. Sonha em ter uma família e manter suas raízes nas terras áridas às margens do rio São Francisco.

Foto: Leandro ( Cauã Reymond ) e Antônia ( Isis Valverde )
Crédito: Globo/Estevam Avellar